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Tecnicidades – Technicalities

April 24, 2016

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In “The Spinner’s Book of Yarn Designs” by Sarah Anderson

Depois de 5 anos a fiar decidi finalmente pegar em livros sobre fiação. Achei que estava em boa altura de melhorar a técnica e tinha curiosidade – então como é que se fia mesmo a sério? Encontrei livros muito completos, cheios de truques e variedade (como este da Sarah Anderson, ou este da Anne Field ou o da Brenda Gibson, talvez o meu favorito). Livros que impõem um certo respeito para quem, como eu, está habituada a processos mais simples e a fibras menos refinadas.

Aprendi a fiar praticamente sozinha. Durante a primavera de 2011, em Vancouver, com este meu primeiro fuso. Depois vim a Portugal no Verão e, com a minha avó, aprendi a carmear a lã e a fiar melhor. Vi muitos vídeos da Lã em Tempo Real. Acabei por ir a Bucos e foi aí que achei que estava no bom caminho, que o meu fio era como o de quem sabia o que estava a fazer.

Mas depois encontrei o mundo da fiação nos Estados Unidos, através dos fóruns, das lojas e dos encontros pessoais. Há de tudo e encontrei gente que partilha a minha estética e os meus valores. Mas comecei também a aperceber-me do que se passa num certo ‘mainstream’ americano, em certos círculos alargados e em expansão via ravelry e facebook. É um mundo em que tudo tem de ser de alta qualidade. Se não, nem vale a pena. Os velos – só valem a pena se tiverem muito pouca sujidade, se passarem uma série de testes (muito cuidado com as pontas que partem e a descoloração das fibras), se não tiverem “second-cuts” e estiverem bem arranjados. As ferramentas são várias: o(s) fuso(s), a(s) roda(s), as cardas, mas também uma série de pentes, uma cardadeira de tambor, etc… A lã é lavada mecha a mecha. Os resultados são extraordinários. Fios “woolen”, fios “worsted”, com durabilidade, sem VM (a tal matéria vegetal), perfeitamente “balanced”, sem torção a menos ou a mais, com várias técnicas de “plying” diferentes. A torção é medida, o ritmo da roda é contado e controlado. E as fibras são sempre óptimas e variadas. Porque o mohair, a seda e alpaca são omnipresentes. Porque ir a um “wool show” implica comprar velos de diferentes criadores, velos que podem custar centenas de dólares, que ganham prémios e que se vendem que nem pãezinhos quentes (parece mentira, mas não é).

Comparado com isto, o universo em que eu aprendi a fiar é uma pobreza. Arte e habilidade não faltam. Mas não há assim tanta possibilidade de perfeição, consistência e variedade quando as ferramentas são rudimentares e as ovelhas não são criadas exclusivamente para lã. Mas, na verdade, os tempos são outros, e o material de que disponho é agora bem melhor. Mas há sempre qualquer coisa de rústico nos meus fios. E eu fico na dúvida, é defeito ou feitio?

Há qualquer coisa de estranho nos métodos deste(a) “spinners” americano(a)s, quase que uma tentativa de imitar a máquina ou então entrar definitivamente no “art yarn”. Ou seja, ou é tudo muito fininho e direitinho e o fio fica a parecer quase industrial, ou então é uma mistura de fibras idiossincrática fiada com métodos complexos (e que no final mais parecem colagens do que novelos). Muito do processo é inacessível também a quem não pode ter todo o equipamento, ou não tem tempo. Ou está a tentar aproveitar a lã dos vizinhos (valerá a pena?  A lã comercial vem tão direitinha….)

Mas claro, a qualidade importa, e a técnica também. Perceber como se comportam os fios duplos e singelos, como evitar torção a mais ou a menos ajuda-me a melhorar e a aperfeiçoar o meu trabalho. Mas não sei se quero começar a contar as voltas da roda por minuto… Nem sei se quero que os meus fios fiquem menos “rústicos” ou que fiquem sem nenhuma palhinha. “Art yarn” não é comigo, mas mas também não tenho pretensões de fiar sempre como uma máquina. As texturas de que gosto são simples mas não são certinhas. Gosto de fios singelos, gosto de fiar lã sempre dos mesmos rebanhos e gosto de aproveitar até as barrigas sujas dos velos. Mas ando a pensar nuns pentes americanos novos (daqueles sofisticados….).

 Como se diz em Filosofia, é uma dialéctica produtiva.

After 5 years spinning I finally decided to pick up some books about… spinning! I thought this was a good time to improve my technique and, frankly, I was curious – how did people really learn how to spin? I found a bunch of very comprehensive books, full of new tricks and recipes (like this one by Sarah Anderson, or by Anne Field and one by Brenda Gibson, maybe my favorite).  They are slightly intimidating for someone like me, who is used to simpler processes and less refined fibers.

I started as a self-taught spinner. During the spring of 2011, in Vancouver, I began experimenting with this small drop spindle. That summer, in Portugal, my grandmother taught me her own technique and I started spinning much better. I watched a lot of videos here. Then I went to the wool center in Bucos to look at what experienced spinners did and I finally started feeling that I was on the right track.

Later I found the spinning community in the US. I found people who shared my taste and values. But I was also introduced to a very different, and perhaps ‘mainstream’ American view of fiber arts. A high quality prizing one, one where there is no room for anything suboptimal. Fleeces are only worth our time if they are perfectly clean, measured, prime. You have to have all the tools: spindle(s), wheel(s), cards, multiple combs, etc… Wool is washed lock by lock. And the results are extraordinary. Perfectly balanced, VM free, interestingly plied yarns. Twist is measured and controlled. And the fibers are exotic, super fine, turned into popular “luxury blends”. Wool shows are everywhere and fleeces that win prizes are the thing to get.

Compared to this, the Portuguese world in which I learned to spin looks nothing but poor. People have the skills, but you can’t get perfection, consistency and variety when tools and fiber are rudimentary and not carefully treated. At least that was true of the past. Now, I have some better tools at my disposal. But there is always a rustic touch to my yarns. And sometimes I wonder whether that is a good or bad thing.

The truth is that I find the methods of this world of American spinning rather odd. They either seem to imitate industrial machines or go completely into art yarn territory. It’s either smooth, plied and fine or bulky, irregular and idiosyncratic. A lot of the processes involve big investments in time, money and equipment. If you are going to spin, you are in for a full studio.

Of course, quality matters, and technique does too. Understanding plied yarn and how to balance my twist have been important steps in becoming a better spinner. But I don’t want to start counting my treadling on the wheel… And I don’t know if I mind the rustic look, the occasional VM bit. I am not into art yarn, but I don’t want to turn into a machine substitute either. I like simple textures, but slightly irregular. I like making single yarns, working with wool from the same flock over and over again and I love turning dirty skirted seconds into wearable clothing. That said, I am thinking of getting some fancy American combs.

A philosopher might call it a very productive dialectic.

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