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Simone de Beauvoir and Portuguese Fascism – Simone de Beauvoir e o Portugal dos Pequenitos

May 26, 2014

 

SImone de Beauvoir em Lisboa, 1975  (por Giorgio Piredda

While researching for one of my essays I came across this passage, on a completely random pages of  “The Ethics of Ambiguity”. On page 93, Simone de Beauvoir discusses existence and oppression, folkore and fascism.

Andava eu em pesquisas e investigações para um dos meus ensaios finais e, numa página aberta ao calhas do “Pour une morale de l’ambiguïté “, encontrei esta passagem. Na página 93, Simone de Beauvoir discute a existência e a opressão, o foclore e o fascismo.

But, on the other hand, we know that if the past concerns us, it does so not as a brute fact, but insofar as it has human signification; if this signification can be recognized only by a project which refuses the legacy of the past, then this legacy must be refused; it would be absurd to uphold against man a datum which is precious only insofar as the freedom of man is expressed in it. There is one country where the cult of the past is erected into a system more than anywhere else: it is the Portugal of today; but it is at the cost of a deliberate contempt for man. Salazar has had brand-new castles built, at great expense, on all the hills where there were ruins standing, and at Obidos he had no hesitation in appropriating for this the funds that were to go to the maternity hospital, which, as a result, had to be closed; on the outskirts of Coimbre where a children’s community was to be set up, he spent so much money having the different types of old Portuguese houses reproduced on a reduced scale that barely four children could be lodged in this monstrous village. Dances, songs, local festivals, and the wearing of old regional costumes are encouraged everywhere: they never open a school. Here we see, in its extreme form, the absurdity of a choice which prefers the Thing to Man from whom alone the Thing can receive value. We may be moved by dances, songs, and regional costumes because these inventions represent the only free accomplishment of peasants amidst the hard conditions under which they formerly lived; by means of these creations they tore themselves away from servile work, transcended their situation, and asserted themselves as men before the beast of burden. Wherever these festivals exist spontaneously, where they have retained this character, they have their meaning and their value. But when they are ceremoniously reproduced for the edification of indifferent tourists, they are no more than a boring documentary, even a odious mystification. (…) In like manner, all those who oppose old lace, rugs, peasant coifs, picturesque houses, regional costumes, hand-made cloth, old language, etcetera, to social evolution know very well that they are dishonest: they themselves do not much value the present reality of these things, and most of the time their lives clearly show it.

in “The Ethics of Ambiguity”, 1948

4 Comments leave one →
  1. May 26, 2014 10:20 am

    Li e fiquei um bocadinho com sentimentos mistos… por um lado concordo que deve ser uma prioridade o bem estar das populações contudo dinheiro gasto na cultura na minha opinião não deixa de ser dinheiro bem gasto. E não estou a concordar com as políticas de Salazar, longe disso, mas penso que não deixar morrer a nossa identidade não é propriamente uma coisa má. É verdade que muitas vezes são coisas para turista ver mas sejamos sinceros senão fosse assim muita coisa morria e para além disso nunca sabemos quem está a visitar – muitas vezes até podem ser pessoas influentes que se interessem genuinamente num produto ou num costume e criem as condições para este se tornar economicamente viável.

    Na condição de eu muitas vezes ter sido a turista que vai visitar, concordo que todo este folclore me interessa e que deve ser mantido e preservado (quando sustentável obviamente, nunca deixar de construir infraestruturas básicas para a população para gastar os financiamentos a fazer um grande festival…).

    A verdade é que na sociedade sempre houve e sempre haverá ideias contraditórias – se na altura se criticava o financiamento de obras de reconstrução de castelos, casas históricas etc, actualmente vejo surgir um movimento contra o abandono de edifícios/monumentos históricos que estão em declínio e em ruínas e que culpam precisamente entidades como o estado em não fazerem nada para preservar muitos destes monumentos/edifícios. Contraditório, não…?

    E pronto acho que já me estendi demasiado (:
    Boa semana beijinho!

    • May 28, 2014 6:34 pm

      Obrigada pelo comentário Sara!

      Acho que realmente o assunto tem imensas nuances. Daí o interesse e a minha vontade grande de falar e discutir esta importante relação entre nós e o nosso legado cultural.

      A passagem da Simone de Beauvoir (se interpreto correctamente) vem no sentido de demonstrar como a ideia do passado e da tradição só tem realmente valor no sentido em que é parte da vida actual e do projecto ético presente. Ou seja, não deixar morrer por não deixar morrer não vale a pena. É penoso, é deixar a cultura ligada à máquina e é uma degradação dessas práticas. E é também provávelmente perigoso, porque desvia dos verdadeiros problemas e combates da actualidade.

      Eu acho que a nossa identidade cultural não é nem boa nem má. Aliás não é nada, até nós fazermos alguma coisa dela. Tal como ‘a tradição’, não é um facto em bruto ou uma fatalidade. É algo que deriva valor da nossa valorização.

      Acho que pensar assim é o que nos faz passar da compra de ‘paninhos’, à compra de um fuso, à conversa com a pessoa que faz os ‘paninhos’ e a verdadeira valorização das artes populares e tradicionais. Concordo que não devemos deixar morrer a nossa identidade cultural. Mas desde que seja verdadeiramente nossa, enquanto cá estivermos havemos de a ter também. E os movimentos contra o abandono dos edifícios históricos são prova disso. =)

  2. O tradicionlista Europeu permalink
    September 1, 2014 3:33 pm

    Mil vezes melhores os comentários do que as “éticas da ambiguidade”… para mim ridículas. Talvez admissíveis num contexto de exercício do absurdo, enfim são o testemunho de uma época em que o “mainstream” considerava que tudo o tradicional era velho, feio, perecível, sem valor… descartável, ou então só aceite se muito bem balizado. Ainda bem que nasceram como cogumelos grupos de folclore mas foram criminosas as casas dos emigrantes, o Minho e as Beiras seriam muito mais bonitos sem elas.
    Foi com grande espanto que descobri os centros históricos Alemães, reconstruídos a cimento e alumínio nos anos 50, 60 e 70 e “re-reconstruídos” depois nos anos 90. Em alguns casos, as casas “Half-timbered” foram reconstruídas com base nos desenhos originais dos séc XVII e XVI. Foi com grande espanto e admiração que descobri o centro históricos das cidades Inglesas como Chester ou Startford. É com grande espanto e admiração que se descobre o restauro das catedrais góticas Francesas bem como a modernidade dos centros históricos dentro do respeito das linhas tradicionais. Trata-se de demonstrações de resiliência e de orgulho, da manutenção de um legado. Só os povos e os políticos sem norte desprezam as suas raízes e desinvestem na cultura e na herança histórica. Nós, como povo com uma cultura singular, única e fortíssima temos o dever de olhar para estes “ensaios éticos” com a distância que merecem. Não precisamos de inventar nada de novo: temos língua própria, temos folclore, temos etnografia, temos religião, temos formas próprias de arquitetura.. temos raizes históricas e etnicas como povo… e é com base em tudo isto que devemos continuar o caminho evolutivo trilhado por quem nos precedeu.
    Sim, gosto muito da arquitetura do “Estado Novo”, aquelas escolas tinham personalidade, ainda hoje têm e isso foi devidamemte acautelado nas recentes requalificações. O uso dos materiais, os beirais, as janelas, a iconografia nacional etc. Tenho poucas dúvidas, lá voltaremos porque existe claramente um movimento de fundo tradicionalista transversal à política. Até alguns “progressistas” já gostam! O próximo passo (agora que temos as estradas) será o restauro massivo dos centros históricos e o país ficará ainda mais bonito, não para os turistas mas para nós mesmos.

Trackbacks

  1. Irritações Foclóricas | The Flying Fleece

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