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Beautiful Browns – Tons de Castanho

May 12, 2012

During the 2 weeks of holiday I spent home, I spun 3 skeins of Churra Mirandesa wool, of the last bag I had left. I  was still searching for techniques that worked better with this wool and so I decided to do something different from the last time. I did not card the wool and, instead, spun it into these gorgeous thinner singles. It is basically the traditional way my grandmother taught me. The shades on these fleeces are sooooo gorgeous and, in the sunshine the honey-browns really stand out. I spun them initially for sale but now I think I’ll keep them all =).

Nas duas semanas que passei em casa, de férias, fiei 3 meadas do último saco de Churra Mirandesa que ainda me restava. Ainda estava à procura da melhor técnica para fiar está lã e decidi tentar uma coisa diferente. Não cardei a lã (só abri muito bem) e fiei-a num fio simples e fininho. É basicamente a maneira mais tradicional, que a minha avó me tinha mostrado, só que sem roca.  As cores desta lã são lindíssimas e com o sol os tons de mel ficam ainda mais bonitos. Fiei as meadas inicialmente para a loja, mas acho que vou ficar com elas todas para mim =).

The Vancouverite Jacket – O casaco de Vancouver

May 10, 2012

Vancouver got to me. After years of longing for one of these local Cowichan beauties I decided to make my own.

It was not easy to find the yarn because I would not settle for anything but the original 6 ply canadian unspun wool. I had to buy beige from Birkeland Brothers, just before it closed down (a pity). And then some dark brown from Raincoaststudio (etsy shop www.etsy.com/shop/raincoaststudio go there for great Cowichan patterns and supplies!). I pulled one strand of brown and knitted it with the 5 of the beige to make the main colour myself. It is tricky to work with this unspun (breaks!) but the finished result is amazing -smooth as felt. And it smells a little like sheep still =)

Finalmente a influência de Vancouver teve os seus efeitos. Há anos que admiro as camisolas Cowichan de longe e decidi fazer o meu próprio casaco.

Não foi fácil encontrar o fio porque queria o original, canadiano, que não é fiado e em vez disso  tem 6 pequenos “fios” de lã cardada. Comprei beige na Birkeland Brothers (que entrentanto, com pena minha, fechou). E depois comprei algum castanho escuro na Raincoaststudio (loja na etsy www.etsy.com/shop/raincoaststudio que tem vários padrões e lãs para estas camisolas Cowichan). Juntei um fio de castanho a 5 de beige e fiz assim a cor principal. É difícil trabalhar com este fio tão especial (parte!) mas o resultado é fantástico: uma superfície  lisa como feltro. E ainda cheira um bocadinho a ovelha e tudo =).

I followed the intructions closely: the 70’s cut is quite flattering and I think I managed to get it just right. Didn’t do the thunderbirds on the arms to make it lighter visually. Sewing the zipper was challenging for me – it was my first time on my own… But it turned out great! The birds were tricky at places – intarsia, fair isle and general intuition were involved.

Segui as instruções à risca: o corte à anos 70 fica especialmente e acho que consegui precisamente esse efeito. Não fiz os padrões dos braços para ficar um bocadinho mas leve, visualmente. Coser o fecho foi  difícil – nunca tinha posto um sozinha…. Mas ficou óptimo! As “águias” foram a parte mais complicada – meteu intarsia, fair isle e muita intuição.

Functional, cozy, stylish in an unappologetic rustic sense and soooooo warm! This is the peak of technique : the unspun wool light felting, combined with the great collar and stranded design makes for the most resistant, wind and water-proof garment ever. A technological achievement of the Cowichan people of British Columbia, up there with Iceland in “the warmest knitting traditions of the world” list.

Funcional, fofo, rústico e tãooooo quente! É realmente um feito tecnológico: a lã cardada tem tendência a feltrar e com a engenhosa gola e a lã sobreposta dos desenhos este casaco é a  peça mais resistente e à prova de vento e água que eu já vi. É realmente uma técnica altamente especialisada dos Cowichan de British Columbia que rivaliza  com o tricot Islandês na lista d’”as tradições têxteis mais quentinhas do mundo”.

Fiar fininho – Fine spinning

May 1, 2012

Meanwhile, I resumed spinning experiments. This time I decided to spin uncarded wool, like my grandmother showed me. The result is gorgeous because the natural differences of shade between fleeces show in the final yarn. The singles look much more alive and the colours truly come out. It is a proccess that seems better for thinner yarns, which makes sense when I think of the traditional handspuns. This is the merino skein form last week. It still needs a good washing.

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Entretanto, voltei às experiências de fiar. Decidi desta vez fiar lã sem a cardar, como me tinha mostrado a minha avó. O resultado é lindíssimo porque as diferenças de tonalidades entre velos ficam visíveis no fio final. Os fios parecem mais vivos e as cores naturais ficam mais valorizadas. É um processo mais apropriado para fios fino, como aqueles que tradicionalmente eram fiados à mão, parece-me. Esta é a meada de merino da semana passada. Ainda precisa de uma boa lavagem.

Making Space – Fazer Espaço

April 29, 2012

I’m back in Portugal! On holidays for two weeks and trying to photograph wool and knitting projects. However the weather has been terrible and there are still no pictures of the latest jacket. I finished it two weeks ago and it has been the most useful thing for the unexpected cold season I found over here.

Estou de volta a Portugal! De férias por duas semanas e a tentar fotografar lã, tricots e afins. Mas como o tempo tem estado terrível ainda não há fotografias do último casaco que fiz. Acabei-o há 2 semanas e tem sido útil neste tempo frio que vim encontrar.

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Meanwhile, I am making space and finally have to let go of some high-end leftover yarn I accumulated over the last few years. My Etsy shop has now a “Destash” section =) Click on the pictures below to see the listings.

Entretanto, estou a tentar fazer espaço e para isso tenho de me desfazer de alguns dos melhores fios que acumulei nos últimos anos, ao comprar quantidade a mais para alguns projectos. A minha loja tem agora uma secção “destash” =) Para aceder basta clicar nas fotos.

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The Vancouverite project – Directamente de Vancouver (um novo projecto)

March 31, 2012

My new project is a very Vancouverite garment…. I had to make one of these before I left. And since I am down to a collar and half a sleeve left, I may actually finish in time to wear it once or twice in Vancouver still…

The wool is very special. It’s a Canadian wool called “buffalo yarn” (brand name, not because it comes from buffalos) and it is basically roving processed into very thin “threads”, with no spin. The yarn is constituted by 6 of these “pencil-rovings”. Breaks easily, but patches up as easy. The best part is the result: as it twists in the knitting it becomes as smooth and strong as felt.

O meu novo projecto é uma peça icónica de Vancouver… Eu tinha de fazer um destes antes de me ir embora. E já que só me falta fazer um colarinho e metade de uma manga, pode ser que acabe a tempo de ainda o usar uma vez ou duas por aqui…

A lã é muito especial. É canadiana e chama-se “buffalo yarn” (mas não tem nada a ver com búfalos) e é basicamente lã penteada, processada em pequenos “fios”, sem nenhuma torção. O “fio” é constituído por 6 destes pequenos fios. Parte muito facilmente, mas também se remenda bem. A melhor parte é o resultado: quando é tricotado fica macio e resistente como o feltro.

Lisbon Cables – Luvas em Beiroa

March 26, 2012

I finished them a while ago and have been wearing them all over. Hadn’t had the opportunity to photograph them yet, but  there was a sunny day (after weeks of slush and rain in Vancouver)….

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Já as tinha terminadohá algum tempo e tenho-as usado imenso. Mas ainda não tinha tido a oportunidade de as fotografar. Hoje finalmente fez bom tempo (depois de semanas de neve e chuva em Vancouver)…

They are comfortable, beautiful and warm,.I  think I already had the opportunity to praise this yarn – Beiroa - but it is worth saying again that, not only is it a great project (a 100% portuguese wool yarn) but also an amazing and unique yarn!

São lindas, práticas e quentes. Penso que já louvei aqui o fio – Beiroa – mas vale a pena dizer mais uma vez que não só é uma iniciativa interessantíssima como um fio espectacular e único!

Almost gloves… – Luvas, quase…

February 14, 2012

 

Almost there…. some sewing and 2 fingers missing. Beiroa was made for cables!

 

Está quase… falta coser e dois dedos. A Beiroa foi feita para pontos em trança!

 

Le turban philosophique

February 14, 2012

Do you remember that turban idea from a while ago?

Lembram-se daquela ideia de há uns tempos?

And voilá! Would Simone be proud? I decided my own “Sartre illustrated” book would match the existentialist turban well…

E voilá! Será que a Simone estaria orgulhosa? Decidi que o meu livro de banda desenhada do Sartre fazia conjunto….

I decided to wear it with my hair down – 70′s style. And it is very comfy, stylish and warm: sucess!

More pictures here.

Decidi usá-lo sem apanhar o cabelo – à anos 70. Comfortável, elegante e quentinho: um sucesso!

Mais imagens aqui.

Impressionistic Forest Mittens – Uma Floresta Impressionista em Luvas

January 20, 2012

I made these mittens for a dear friend who lives in the forests of Maine, in the East coast of the USA.

When I saw the patten, Tuulia Salmela’s “Deep in the Forest Mittens”, I knew I had to make it! I was very inspired by some projects using zauberball yarn for the blue background and decided to give it a try. Halfway through I realised that the colour changes were slower than I thought and so got an idea: two different gloves! One is FOREST AT DAWN and the other FOREST AT DUSK. They look quite like impressionistic paintings if you look closely, because of the slight changes in colour background-wise combined with the dips of logwood purple for the trees. The yarn for the trees was a naturally dyed one by Caitlin of Vancouver’s Baaad Anna’s.

They turned out slightly larger than expected and, horror! One was even slightly larger than the other. Why? Complete mystery: the stitch tension somehow got smaller. Nothing that a good blocking did not solve ! Add some polar lining to fill them up (and make them more useful) and voilá!

Fiz estas luvas para uma grande amiga que vive nas florestas do estado do Maine, na costa leste dos EUA.

 Quando vi o modelo, “Deep in the Forest Mittens” da Tuulia Salmela, quiz logo começar a tricotar! Fiquei muito inspirada por alguns projectos na ravelry que usavam uma zauberball para o fundo azul e decidi experimentar. A meio percebi que as mudanças de cor estavam a ser mais longas do que eu pensava e tive uma ideia: duas luvas diferentes! Uma é a floresta ao AMANHECER e a outra ao ANOITECER. Parecem um quadro impressionista se vistas ao perto, sobretudo por causa da combinação das mudanças de cor do fundo e das próprias árvores. O fio para as árvores foi tingido naturalmente pela Caitlin da loja Baaad Anna’s aqui em Vancouver.

Ficaram um bocadinho maiores do que esperado e, horror! Uma estava maior do que a outra! Porquê? É um mistério: a tensão dos pontos ficou mais pequena não sei como. Nada que um bom bocado de vapor não resolva! E adicionei um forro de tecido polar por dentro para encher (e para as tornar mais práticas e quentinhas) e voilá!

Se calhar não merecemos outra coisa

January 15, 2012
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Em Dezembro, viajei de Vancouver até Coimbra para estar com a minha família, para descansar, mas também para voltar a Portugal. Para ver o que se passava, como se estava a viver, o que se dizia na televisão.

Cheguei na altura certa para apanhar  o escândalo, no verdadeiro sentido da palavra, do “apelo à imigração” feito por Pedro Passos Coelho. Os professores desempregados devem olhar para o mercado “lusófono”. Pensei que este tipo de proposições demonstrava nada mais do que um erro, um lapso. Talvez seja isto que Passos Coelho pensa, mas sabe que não o pode dizer, achei eu. Era uma demonstração de insensibilidade às questões coloniais , e um absurdo: um chefe governamental apelar ao “brain-drain” e ao empobrecimento intelectual e social do seu país era inconcebível.

Não foi um erro, como ficou demonstrado pelas numerosas declarações de vários membros do governo e de outros, como Paulo Rangel, de quem saiu a sugestão de uma agência para apoiar a emigração. A gota de água, para mim, foi o impressionante e chocante discurso de Miguel Relvas, aqui relatado neste artigo:

Se nós olharmos para a nossa história, sabemos que sempre que nos encostaram ao oceano foram os momentos de maior glória da nossa história”.
“Esta é uma emigração muito bem preparada. Nós investimos significativamente nos últimos 20 anos numa geração e hoje não lhes damos aquilo de que eles precisam, que é o emprego”

A direcção parece então claramente definida pelo governo português: os jovens com formação superior devem virar-se para a emigração, sobretudo para as ex-colónias, como Angola ou Brasil.

Tudo isto é, no mínimo, inqualificável, só por si. Para mim, em particular, é insultuoso.

Estudo no estrangeiro há 6 anos, estou prestes a acabar um curso em Filosofia, numa universidade Canadiana, de onde este governo tirou até um ministro. Pretendo continuar a estudar e a investigar áreas como a Filosofia Política e Social. Mas para isso vou ter de continuar no estrangeiro – em Portugal não há programas de doutoramento com saídas profissionais minimamente razoáveis.

Eu sei o que custa viver fora do nosso país, eu sou parte desta emigração de que fala Miguel Relvas. Sim, adaptamo-nos e vivemos as nossas vidas em contextos que nos são e serão sempre tão estranhos e exóticos. Que remédio… Mas do que eu gostava era de viver no meu país, de falar a minha língua todos os dias, de discutir nas minhas aulas os problemas que mais me interessam, de participar na minha comunidade, de ajudar a construir o meu país. Miguel Relvas diz que os jovens portugueses em Maputo vêem o mundo com outros olhos. Eu também vejo. Viajar, conhecer, viver o mundo é algo para ser promovido. Mas viver como expatriado, como um exilado de um país relativamente próspero (não somo refugiados de nenhuma guerra ou fome) que não nos quer, é viver para sempre como alguém que podia ter feito mais, é perder parte da nossa autonomia enquanto pessoas.

É um país que não me quer. Quando fui estudar para o norte da Europa, com uma bolsa, tinha 15 anos e não via nenhum futuro. Sentia que, enquanto cidadã, não fazia falta a ninguém. Depois de tantos anos, voltei a achar que devia contribuir para mudar o Portugal, o lugar onde me sinto em casa. E agora, de novo, este país não me quer. O “realismo económico” de Miguel Relvas diz que eu aqui não sou precisa – que a minha vocação natural é andar pelo mundo, é nunca voltar. E eu pergunto: como é que se faz um país sem pessoas?

Este desencanto pessoal seria irrelevante se não fosse parte da tragédia nacional. Não consigo entender como é que Miguel Relvas, e todos os outros, conseguem proferir semelhantes declarações. O país está em declínio económico e demográfico. E os jovens são incentivados a emigrar? A camada da população com mais formação, as futuras elites culturais e intelectuais, os artistas e os técnicos: para fora? Não estarão eles familiarizados com o caso de tantos países em desenvolvimento, que vêm a sua mão de obra qualificada escapar-se-lhes por entre os dedos? Acharão que são os reformados que vão criar empresas, desenvolver novas ideais, dinamizar a sociedade? Temos um governo que, ou apela ao empobrecimento do país, ou acha que os jovens com formação não são um valor. Não sei o que é pior.

E, finalmente, isto é também a prova de que, em Portugal não nos lembramos das coisas o suficiente. O Atlântico Sul? O oceano e a glória? Sim, obtivemos glória em Angola, em Moçambique e no Brasil – colonizando, explorando, aniquilando e impondo as nossas crenças, língua e cultura. É essa a glória a que devemos voltar, aquela que levou à sangrenta Guerra Colonial Africana de há não muito tempo? A própria ideia de que países como Angola são “lusófonos” – um mercado para professores portugueses- , quando têm 6 línguas nacionais, é o ignorar de todo um passado de imperialismo cultural sobre o qual ainda não reflectimos o suficiente. Este novo “Para Angola, rápido e em força” é fértil em problemáticas neo-coloniais que, infelizmente, ninguém parece querer abordar.

Portugal desistiu, este governo desistiu. Resta-nos envelhecer, ouvir histórias do que se passa lá fora e voltar ao Portugal do antigamente, à agricultura de subsistência, à falta de espírito crítico. Estamos a andar para trás e a formar o futuro dos outros.

Se calhar não merecemos outra coisa.

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